A Felicidade para São Tomás de Aquino

Por Alexandro Foletto*

São Tomás de Aquino foi um importante filósofo, teólogo e padre dominicano do século XIII. É conhecido como um dos principais expoentes da escolástica (linha filosófica de base cristã). Buscou aplicar a filosofia clássica (principalmente de Aristóteles) para compreender a visão religiosa do cristianismo, sendo assim, vários são os temas abordados por esse pensador e um desses assuntos é a felicidade.

São Tomás de Aquino desenvolve o tema da felicidade tendo em vista que a vida humana possui um fim, ou seja, tem um objetivo ultimo ao qual denomina-se bem-aventurança, sendo, essa que fornece o sentido para a conduta do homem.

Após avaliar as concepções de felicidade recorrentes em sua época, observou que havia diversas correntes que identificavam a beatitude como posse das riquezas, como honra, como poder e como prazeres do corpo entre outros. Todavia, pode-se assegurar que Santo Tomás as considerou como meios e ou critérios não apropriados para conceber uma vida feliz, pois esses meios conduziriam à uma ilusão, uma falsa percepção de felicidade.

Vale ressaltar que Tomás de Aquino identifica a felicidade completa com a beatitude, sendo que nesta vida, a felicidade completa não está ao alcance dos homens, isto é, nesta vida, só é possível uma felicidade parcial e incompleta e para salientar esse pensamento, faz uma análise de cada uma das filosofias vigentes acerca da felicidade em seu tempo.

De início coloca a bem-aventurança como consistindo em riquezas e para analisar de forma coerente faz uma divisão entre riquezas naturais e riquezas artificiais:

Aquelas (riquezas artificiais) são as que o homem busca para satisfazer suas necessidades naturais, como a comida e a bebida, os vestuários, os transportes, a habitação e outras semelhantes. Estas são as que não provêm da natureza, em sim mesmas, como o dinheiro, mas que a arte humana inventou para facilitar as trocas e são como a medida das coisas veniais. (Suma Teológica I-II, q.2, a.1)

Mesmo ampliando a ideia de riqueza e fazendo certa distinção entre ambas, o Doutor Angélico não as reconhece como verdadeira fonte de felicidade, afinal a riqueza não possui uma finalidade em si mesma, pois, quem a busca tem em vista a (aquisição) de algo, ou seja, são meios para atingir certos fins, por exemplo, o investimento feito em comida tem em vista a preservação da vida e da mesma forma segue com o dinheiro e tantas outras coisas. No entretanto, a bem-aventurança tem seu valor em sim mesma e não depende exclusivamente de riquezas.

Outro caso abordado por Santo Tomás é o que diz respeito a honra, seria ela sinônimo de bem-aventurança? Assim como acontece com a riqueza aplica-se a honra, dessa forma, o valor da honra tende mais para o lado de quem a confere do que para aquele que a recebe, isto é, no caso da fama (honra) é preciso haver reconhecimento de outros para assim atribuir certo testemunho que reconhece alguma excelência do honrado, ou seja, não possui razão de ser em si mesmo e pode dirigir-se tanto para o bem como para o mal, algo indispensável à beatitude é ser exclusivamente voltado ao bem.

O poder também aparece como contrário a bem-aventurança, pois não evita angustias ou preocupações, ainda o poder pode ser usado para o mal, é bom que quem detém poder o use em prol do povo, assim é péssimo usar para o mal, em suma, a felicidade completa não pode aceitar a existência de mal, porque ela se contradiz com o bem perfeito e infinito e sabemos que, nesta vida, não há a possibilidade de viver totalmente livre dos males, tanto dos males do corpo, como a sede, a fome e a doença ou até dos males da alma, como a ira, o orgulho, ou a inveja.

Os prazeres corporais também não são estão associados a finalidade última do homem, pois revelam-se voltados a fins secundários, por exemplo, os prazeres da comida são meios para a preservação da vida e os prazeres sexuais para a procriação. Portanto, conclui-se que a inclinação do homem para a felicidade não se realiza por completo nas coisas deste mundo, pois nelas se encontra apenas uma parte do bem. O conjunto de todos os bens se encontra em Deus, que acalma por completo esse anseio por felicidade do homem, não havendo mais nada além para desejar.


* Acadêmico do quinto semestre do curso de Filosofia em Santa Maria RS.

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