“O Muro” de Sartre: Resumo / Resenha e Análise

por Emrys Westacott

Jean Paul Sartre publicou o conto O Muro (título francês: Le Mur ) em 1939. Ele acontece na Espanha durante a guerra civil espanhola, que durou de 1936 a 1939. A maior parte da história é retomada descrevendo uma noite passada em uma cela de prisão por três prisioneiros que foram informados de que serão executados na manhã seguinte.

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RESUMO – O MURO (Jean-Paul Sartre)

O narrador, Pablo Ibbieta, é membro da Brigada Internacional, voluntários progressistas de outros países que foram para a Espanha para ajudar aqueles que estavam lutando contra os fascistas de Franco, em um esforço para preservar a Espanha como uma república.

Junto com outros dois, Tom e Juan, ele foi capturado por soldados de Franco. Tom é ativo na luta, como Pablo; mas Juan é apenas um jovem que passa a ser o irmão de um anarquista ativo.

Na primeira cena, eles são entrevistados de uma forma muito resumida. Eles praticamente não respondem perguntas, embora seus interrogadores parecem escrever muito sobre eles. Pablo é perguntado se ele sabe o paradeiro de Ramon Gris, líder anarquista local. Ele diz que não. Eles são, em seguida, levados para uma cela. Às 8:00 da noite, um oficial vem para dizer-lhes que eles foram condenados à morte e serão executados na manhã seguinte.

Naturalmente, eles passam a noite oprimidos pelo conhecimento de sua morte iminente. Juan está prostrado pela auto-piedade. Um médico belga mantém-los acompanhados para fazer seus últimos momentos “menos difíceis.” Pablo e Tom lutam para chegar a termos com a ideia de morrer em um nível intelectual, enquanto seus corpos denunciam o medo que naturalmente sentem.

Pablo encontra-se encharcado de suor; Tom não pode controlar sua bexiga.

Pablo observa como ser confrontado com a morte altera radicalmente a forma como tudo – objetos familiares, pessoas, amigos, estranhos, memórias, desejos – aparece para ele e sua atitude para com isso. Ele reflete sobre sua vida até este ponto:

Naquele momento eu senti que eu tinha toda a minha vida na minha frente e eu pensei: “É uma maldita mentira.” Ela não valia nada porque foi terminado. Eu me perguntava como eu tinha sido capaz de andar, de rir com as meninas: Eu não teria movido mais que meu dedo mindinho, se eu só tivesse imaginado que iria morrer assim. Minha vida estava na minha frente, fechada, cerrada, como um saco e ainda tudo dentro dela estava inacabado. Por um instante eu tentei julgá-la. Eu queria me dizer, esta é uma bela vida. Mas eu não podia deixar passar julgamento sobre ela; era apenas um esboço; Eu tinha passado o meu tempo falsificando eternidade, eu não tinha entendido nada. Eu não perdi nada: não havia tantas coisas que eu poderia ter perdido, o gosto de camomila ou os banhos que tomei no verão em um pequeno riacho perto de Cadiz; mas a morte tinha desencantado tudo.

A manhã chega, e Tom e Juan são retirados para serem executados. Pablo é interrogado novamente, e foi dito que se ele informasse sobre Ramon Gris sua vida seria poupada. Ele é trancado em uma sala de lavandaria para pensar sobre isso por mais 15 minutos. Durante esse tempo, ele se pergunta por que ele está sacrificando sua vida pela de Gris, e não pode dar nenhuma resposta, exceto que ele deve ser um “tipo teimoso.” A irracionalidade de seu comportamento o diverte.

Perguntado mais uma vez sobre onde Ramon Gris está se escondendo, Pablo dá uma resposta, dizendo aos seus interrogadores que Gris está se escondendo no cemitério local. Soldados são enviados imediatamente, e Pablo espera por seu retorno e sua execução. Um tempo depois, no entanto, ele está autorizado a juntar-se ao corpo de prisioneiros no pátio que não estão à espera de execução, e é dito que ele não vai ser executado, pelo menos não por enquanto. Ele não entende isso até que um dos outros prisioneiros lhe diz que Ramon Gris, tendo passado de seu antigo esconderijo para o cemitério, foi descoberto e morto naquela manhã. Ele reage rindo com tanta força que eu chora.

ANÁLISE: ELEMENTOS NOTÁVEIS ​​DA HISTÓRIA

  • A vida apresentada como ela é experienciada. Como muita literatura existencialista, a história é escrita a partir da perspectiva de primeira pessoa, e o narrador não tem conhecimento para além do presente. Ele sabe o que está experimentando; mas ele não pode entrar na mente de outra pessoa.
  • Ênfase na intensidade da experiência sensorial.  Pablo experimenta frio, calor, fome, escuridão, luzes brilhantes, cheiros, sensualidade, e os rostos cinzentos. Pessoas tremem, suam e urinam. Considerando que filósofos como Platão viam sensações como obstáculos ao conhecimento, aqui elas são apresentadas como avenidas de insights.
  • O desejo de ser, sem ilusões. Pablo e Tom discutem a natureza da sua morte iminente tão brutalmente e honestamente quanto possível, mesmo imaginando as balas afundando na carne. Pablo reconhece para si mesmo como sua expectativa de morte o tornou indiferente à outras pessoas e à causa pela qual ele lutou.
  • O contraste entre a consciência e as coisas materiais. Tom diz que ele pode imaginar o seu corpo deitado inerte crivado de balas; mas ele não pode imaginar-se não existente pois o eu com que se identifica é a sua consciência, e a consciência é sempre consciência de alguma coisa. Como ele diz, “não fomos feitos para pensar isso.”
  • Todo mundo morre sozinho. A morte separa os vivos dos mortos; mas aqueles que estão prestes a morrer também são separados da vida, uma vez que só podem sofrer o que está prestes a acontecer sós. Uma intensa consciência disso coloca uma barreira entre eles e todos os outros.
  • A situação de Pablo é a condição humana intensificada. Como Pablo observa, seus carcereiros também vão morrer muito em breve, apenas um pouco mais tarde do que ele. Viver sob sentença de morte é a condição humana. Mas quando a sentença deve ser realizada em breve, uma intensa consciência da vida se inflama.

O SIGNIFICADO DE “O MURO”

O muro do título pode aludir a várias paredes ou barreiras.

  • O muro contra o qual eles serão executados.
  • O muro que separa a vida da morte.
  • O muro que separa os vivos dos condenados.
  • O muro que separa os indivíduos de outros.
  • O muro que nos impede de alcançar uma compreensão clara do que é a morte.
  • O muro que representa a matéria bruta, o que contrasta com a consciência, e ao qual os homens serão reduzidos após os tiros.

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1 comentário

  1. Daniel daniele Responder

    O muro,
    representa a divisão entre a realidade e a fantasia,
    a ponte entre o presente real e o futuro imaginário,
    os planos distorcidos pela a aleatoriedade da vida,
    Ansiedade (tensão, medo, pavor, sentimento ruim em excesso) da morte,
    onde uma variavel fora do controle faz com que tudo mude, e ele reage rindo. faz refletir de como pensamentos gerados foram negativos, em negum momento imaginou um possibilidade boa,

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