Kierkegaard x Nietzsche: Deus e o significado da vida

O existencialismo é um humanismo ateísmo?

Grandes nomes do existencialismo também eram ateus: Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus (muitas vezes é classificado como existencialista, apesar do absurdismo, mas isso é outra história…).

O existencialismo (ou as Filosofias da existência) tem como precursor Friedrich Nietzsche – aquele cara bigodudo que disse que Deus está morto.

E há uma certa relação entre existencialismo e niilismo.

No entanto, o fundador do existencialismo, Søren Kierkegaard, tinha como um dos princípios centrais do seu pensamento o cristianismo.

Enquanto a morte de Deus era uma ideia central no pensamento de Nietzsche, a filosofia de Kierkegaard tinha como pilares a necessidade de deus e a .

Sobre o significado da vida

Nietzsche afirma que a falta de significado tem como causa a morte de deus.

Kierkegaard reconhece o absurdo da vida e a dificuldade de encontrar significado para ela, mas defende que esse problema do sentido está relacionado à um excesso de racionalidade.

Kierkegaard precedeu muitos filósofos existencialistas ao dizer que razão e ciência não podem dar valor, significado e propósito à vida. Cabe ao indivíduo decidir o significado da própria vida.

Como encontrar o significado da vida, segundo Kierkegaard?

Olhar para Deus e dar o salto da fé – um pulo do estádio ético para o estádio religioso. Isso oferece significado e equilíbrio. A vida “ética” pode funcionar como uma fuga das escolhas sobre o significado para si mesmo.

Devemos considerar-nos indivíduos, mas reconhecendo o poder que nos constituiu. É um imperativo moral (do qual Deus é parte fundamental) descobrir e viver como si mesmo.

Sempre temos diferentes possibilidades e podemos escolher. Evitar tornar-se si mesmo é estar em desespero – estar em pecado, de acordo com Kierkegaard. Mas as escolhas podem levar à angústia.

“ Se você se casar, vai se arrepender; se você não se casar, também se arrependerá; se você se casar ou não se casar, vai se arrepender de ambos; ria das loucuras do mundo, você vai se arrepender, chore, você também vai se arrepender disso; rir das loucuras do mundo ou chorar por elas, você vai se arrepender de ambos… ”

O Cavaleiro da Fé

O Cavaleiro da Fé de Kierkegaard é um tipo de Ubermensch (O superhomem ou além-homem de Nietzsche), porém cristão. Ele supera a racionalidade e se dedica ao chamado superior de Deus, como no exemplo de Abraão.

Deus ordenou à Abraão que matasse seu próprio filho, o que pode ser considerado antiético. Mas ser um Cavaleiro da Fé é estar além do bem e do mal.

Diferente do herói trágico, cujo sacrifício, apesar de doloroso, pode ser entendido racionalmente, o ato do cavaleiro da fé tipificado por Abraão representa uma decisão que transcende os limites da razão (Costeski e Marques, 2015)

O pensamento de Kierkegaard não deve ser encarado como uma “pregação do cristianismo”. Ele mesmo disse que um “pagão apaixonado” vivia melhor que um cristão que adorava apenas por hábito.

Com certeza é um dos grandes nomes da história da Filosofia e deve ser respeitado como tal.


Inscreva-se no nosso canal de Filosofia no Youtube 😉


Referências:

Big Think. God’s Answer to Nietzsche, the Philosophy of Søren Kierkegaard

Costeski e Marques (2015). Os atributos do cavaleiro da fé em Søren Kierkegaard

1 comentário

  1. Pompilho Falasca Responder

    Esse “Cavaleiro da fé” está muito distante do idealizado por Nietzsche como Ubermensch; o Ubermensch ultrapassa o que fizeram de ti, o seu eu foi ultrapassado em uma “guerra” interna. Nietzsche e sua ideia de Ubermensch é o despertar do instinto divinatório e a ligação a terra. É uma lição de respeito as outras vidas sobre a Terra, sobretudo, uma lição de Amor aos animais. O Ubermensch ultrapassa o eu mesmo e atinge o Self, do outro lado das razões que criaram o bem e o mal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *